sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Manifestantes derrubam muro da embaixada de Israel no Cairo



Centenas de manifestantes egípcios destruíram partes de um muro de segurança que havia sido erguido recentemente perto da entrada da embaixada de Israel no Cairo.
As forças de segurança egípcias não conseguiram controlar a multidão que subiu no muro, bateu com martelos e arrancou grandes pedaços da barreira.
Os manifestantes marcharam para a embaixada a partir da praça Tahrir, onde milhares de pessoas protestaram contra o ritmo das reformas do governo militar.
Desde a queda de Hosni Mubarak tem aumentado os clamores para que o histórico tratado de paz com Israel seja encerrado. O descontentamento aumentou no mês passado, depois que forças israelenses mataram cinco policiais egípcios ao responder a disparos na fronteira entre os dois países.
Neste momento em que a Turquia rompeu relações com Israel e anunciou que enviará navios de guerra para proteger os pacifistas da Segunda Flotilha da Paz que levará remédios e alimentos à Faixa de Gaza, os egípcios querem uma posição mais firme do governo em relação a Israel, afinal de contas, por algumas décadas o presidente Hosni Mubarak foi mantido no poder graças ao apoio dos governos de Israel e EUA.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Condenan masacre contra el pueblo de Libia en el Museo los Llanos



Venezuela (Diana Amador) -La información la dio a conocer Ana María Oviedo Palomares, directora general del Gabinete Estadal de Cultura en Barinas al señalar que la jornada tiene como fin condenar la masacre en el pueblo de Libia, culpabilizando a la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN) y a los “gringos” de estos hechos.
Dijo además que el diputado al Parlamento Latinoamericano por el Partido Comunista de Venezuela, Carolus Wilmer, disertará sobre la situación de conflicto y desestabilización de los países norafricanos especialmente Libia que ha sido víctima del más descarado y sangriento saqueo por parte de las potencias europeas monitoreadas por Estados Unidos.
Indicó que el acto también contará con las intervenciones del maestro artesano Pedro Reyes Millán, excombatiente guerrillero y Premio Nacional de Cultura Popular; del historiador Nelson Montiel Acosta, los poetas Modaira Rubio y Leonardo Ruiz Tirado.
La directora general además manifestó que la actividad también estará acompañada de un acto artístico y musical a cargo del cantautor Alfredo Ramos y de la agrupación revolucionaria Monte Sacro.
Finalmente, Oviedo manifestó que la actividad cuenta con el apoyo de la Gobernación del Estado y de la Universidad de los Llanos Occidentales Ezequiel Zamora, (UNELLEZ).

www.rbv.info/.../8330-cultura
www.corpozulia.abrebrecha.com/articulos.php?id=160596

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Líbia: A verdadeira guerra começa agora


Por Pepe Escobar, Asia Times Online

Chega de falar da derrubada do Grande Gaddafi. Agora, chegamos aos finalmentes: será Afeganistão 2.0, Iraque 2.0, ou uma mistura dos dois.

Os ‘rebeldes da OTAN’ sempre garantiram que não querem ocupação estrangeira. Mas a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) – sem a qual não haveria vitória dos ‘rebeldes’ – não pode governar a Líbia sem coturnos em solo. Assim sendo, examinam-se hoje vários cenários virtuais no quartel-general da OTAN em Mons, Bélgica – a OTAN protegida sob o estofamento de veludo da ONU.

Segundo planos já vazados, mais cedo ou mais tarde podem aparecer por lá soldados das monarquias do Golfo Persa e aliados amigáveis, como a Jordânia e, especialmente, como a Turquia, que é membro da OTAN e interessada em embolsar vastos contratos comerciais. Dificilmente alguma nação africana fará parte do grupo – dado que a Líbia foi “relocalizada” e, agora, é parte das Arábias.

O Conselho Nacional de Transição aceitará – ou será forçado a aceitar – se, ou quando, a Líbia entrar em espiral de total caos. Mesmo assim não será produto fácil de vender internamente – com as furiosamente disparatadas facções dos ‘rebeldes da OTAN’ já empenhados freneticamente em consolidar seus respectivos feudos e prontas para saltarem, umas nos pescoços das outras.

Não se vê nem sinal, até aqui, de que o Conselho Nacional de Transição tenha qualquer ideia sobre o que fazer para administrar a complexa paisagem política dentro da Líbia, além das repetidas genuflexões ante o altar das nações membros da OTAN.

Guns e nada de roses

Na Líbia, praticamente toda a população está hoje armada até os dentes. A economia está paralisada. E já está em campo a mais feroz briga de gatos-do-mato pelo controle dos bilhões de dólares dos líbios congelados.

A tribo Obeidi está furiosa com o Conselho Nacional de Transição, porque não há nem sinal de investigação para saber quem matou o comandante militar do exército ‘rebelde’ Abdul Fattah Younis dia 29 de julho. Já ameaçaram fazer justiça pelas próprias mãos.

Os principais suspeitos do assassinato são os homens da Brigada Abu Ubaidah bin Jarrah – uma milícia islâmica fundamentalista linha duríssima que rejeitou a intervenção da OTAN, recusou-se a combater sob comando do Conselho Nacional de Transição e declarou “infiéis” o Conselho e a OTAN.

Há também a pergunta que tantos tentam afogar em petróleo: quando o ramo da al-Qaeda na Líbia, a nuvem de guerrilha islâmica conhecida como Grupo Islâmico de Combate na Líbia [ing. Lybia Islamic Fighting Group (LIFG)], organizará seu próprio golpe para derrubar o Conselho Nacional de Transição?

Por toda Trípoli veem-se os ecos gráficos do inferno das milícias armadas que se viu no Iraque. O general Abdelhakim Belhaj, que trabalhou para a CIA-EUA e foi prisioneiro da “guerra ao terror” –, original do círculo de Derna, o marco zero do fundamentalismo islâmico na Líbia – é o líder do novíssimo Conselho Militar de Trípoli.

Já houve acusações, feitas por outras milícias, de que Belhaj não combateu na ‘libertação’ de Trípoli e, portanto, tem de deixar o posto – verdade ou mentira, é o que o Conselho anda dizendo. Isso significa que, mais dia menos dia, a nuvem indefinida conhecida como LIFG-al-Qaeda estará empenhada num dos lados da guerra de guerrilhas que virá – contra o Conselho Nacional de Transição, contra outras milícias ou contra todos.

Em Trípoli, rebeldes de Zintan, nas montanhas do oeste do país, controlam o aeroporto. O banco central, o porto de Trípoli e o gabinete do primeiro-ministro são controlados por rebeldes de Misrata. Berberes da cidade de montanha de Yafran controlam a praça central de Trípoli, coberta com dísticos de “Revolucionários de Yafran”, escritos com spray. Todos demarcam claramente os respectivos territórios, como aviso.

Como o Conselho Nacional de Transição, como unidade política, já está se comportando como pato manco; como as milícias não sumirão no ar – não é preciso muita imaginação pra prever que a Líbia será um novo Líbano. No Líbano, a guerra começou quando toda a cidade dividiu-se, cada subúrbio de um grupo: ou sunitas, ou xiitas, ou cristãos maronitas, ou nasseristas ou druzos.

Além do mais, a libanização da Líbia também inclui a mortal tentação muçulmana – que se espalha como vírus por toda a Primavera Árabe.

Pelo menos 600 salafistas que combateram na resistência sunita iraquiana contra os EUA foram libertados pelos ‘rebeldes’ e deixaram a prisão de Abu Salim. É fácil prever que tirarão o máximo proveito possível das muitas Kalashnikovs e dos lança-granadas Sam-7, soviéticos, de ombro, para combate antiaéreo, aproveitando-os para reequipar sua milícia islâmica ultra linha-dura – sem se afastar de sua própria agenda e de sua própria guerra de guerrilhas.

Bem-vindos à nossa ‘democracia’ racista

A União Africana (US) não reconhecerá o Conselho Nacional de Transição. Está acusando os ‘rebeldes’ da OTAN de matar indiscriminadamente negros africanos, metidos todos num mesmo saco, identificados como “mercenários”.

Segundo Jean Ping, da União Africana, “o Conselho Nacional de Transição parece confundir pessoas de pele negra e mercenários (...) [Dão a impressão de que, para eles] todos os negros são mercenários. Um 1/3 da população líbia é negra. Para o Conselho Nacional de Transição, são todos mercenários.”

O pequeno porto de Sayad, 25 km a oeste de Trípoli, foi convertido em campo de refugiados para africanos negros apavorados com a nova “Líbia livre”. A organização Médicos sem Fronteira descobriu o campo dia 27 de agosto. Os refugiados dizem que, desde fevereiro, começaram a ser expulsos pelos donos das empresas e lojas onde trabalhavam, sempre acusados de serem mercenários – e, desde então, têm sido sistematicamente perseguidos.

Segundo a mitologia ‘rebelde’, o regime de Muammar Gaddafi seria protegido essencialmente por murtazaka (“mercenários”). A verdade é que Gaddafi empregou apenas um contingente de combatentes africanos negros – do Chad e do Sudão e tuaregues do Niger e do Mali. A maioria dos africanos negros subsaharianos que vivem na Líbia são trabalhadores migrantes, com empregos legais.

Para ver em que direção está andando essa coisa toda, é preciso olhar para o deserto. O imenso deserto líbio não foi conquistado pela OTAN. O Conselho Nacional de Transição praticamente não tem acesso a nenhuma gota d’água líbia e não chega a parte considerável do petróleo.

Gaddafi tem a chance de “trabalhar o deserto”, de negociar com várias tribos, de comprar e firmar a solidariedades delas e de organizar uma guerra de guerrilha de longo prazo.

A Argélia está envolvida em luta terrível contra a Al-Qaeda-no-Maghreb. Os 1.000 km da longa, porosa fronteira entre Argélia e Líbia continua aberta. Gaddafi pode facilmente plantar seus guerrilheiros no deserto do sul, com paraíso seguro na Argélia – ou até no Niger. Essa possibilidade já pôs o Conselho Nacional de Transição em estado de terror pânico.

A operação ‘humanitária’ da OTAN já despejou no mínimo 30 mil bombas sobre a Líbia, nos últimos poucos meses. Pode-se dizer com segurança que muitos milhares de líbios foram mortos nos bombardeios. O bombardeio não pára nunca: mais um pouco, os únicos alvos da OTAN serão os mesmos – civis e não civis – que, em teoria, há alguns dias, a OTAN estaria ‘protegendo’.

Um Grande Gaddafi derrotado pode vir a revelar-se muito mais perigoso que um Grande Gaddafi no poder. A verdadeira guerra está começando agora. Será infinitamente mais dramática – e será trágica. Porque agora será uma guerra norte-africana darwiniana, guerra de todos contra todos, na qual só o mais forte sobreviverá.

Tradução: Vila Vudu

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cão de guarda do imperialismo e do sionismo, Anders Rasmussen, continuará bombardeando a Líbia

Enquanto os países imperialistas que covardemente atacam a Líbia dia e noite, para roubar petróleo e colocar um governo fantoche no poder – exatamente como fizeram no Iraque e Afeganistão -, o cão de guarda do imperialismo e do sionismo, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ex-premiê dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, afirmou que continuará a promover o assassinato massivo de civis inocentes na Líbia, seguindo com os bombardeios de vilas e cidades até matar o líder Muamar Kadafi.
Caso Kadafi não seja morto pelos ataques das potências ocidentais, Rasmussen promete destruir o país, assassinando toda a população da Líbia, graças ao apoio covarde e criminoso dos governos dos Estados Unidos, França e Inglaterra, os financiadores desse genocídio.
"Na Líbia, nossa operação se aproxima significativamente do êxito, mas ainda não estamos lá", disse o ex-premiê dinamarquês durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas.
A Otan afirma de forma hipócrita e mentirosa que implementa na Líbia as resoluções 1970 e 1973 aprovadas no primeiro semestre deste ano pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o objetivo principal de garantir a proteção dos civis com a criação de uma zona de exclusão aérea. Ora, qualquer idiota sabe que as resoluções da ONU fora desculpas esfarrapadas para iniciar uma guerra de ocupação da Líbia, dentro de uma nova filosofia de colonialismo respaldado pela mídia mercenária.
No entanto, de acordo com os determinantes expostos pelos líderes ocidentais que devem decidir, de fato, o fim das operações, não há um prazo concreto para que os jatos da Otan interrompam os ataques.
Na semana passada, numa conferência internacional sobre a Líbia em Paris, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, deixou claro que os ataques aéreos da Otan continuarão até que Kadafi seja assassinado. Além de roubar petróleo da Líbia e assassinar Kadafi, o presidente francês tenta esconder as provas de sua eleição fraudulenta a presidente da França, pois recebeu financiamento ilegal milionário da Líbia para sua campanha eleitoral.

BANI WALID

No front em território líbio, nesta segunda-feira os rebeldes ameaçavam atacar Bani Walid, após um novo fracasso das negociações sobre a rendição desta cidade que abriga forças leais ao líder Muamar Kadafi.
Depois de vários dias de negociações com os chefes tribais de Bani Walid, um oásis ao sudoeste de Trípoli, o principal negociador do CNT, Abdullah Kenchil, anunciou no domingo à noite que as negociações fracassaram, e que a Otan está liberada para despejar bombas e assassinar a maioria da população civil, como estão fazendo na cidade de Sirte. A ordem da Otan é uma só: ondea população civil não se render às potências ocidentais, será dizimada.
Após esses exemplos de barbárie e terrorismo de Estado por parte da Otan e dos governos de países imperialistas, a humanidade descobriu que está sendo governada por criminosos da pior espécie, e que a chamada “democracia ocidental” não passa de cortina de fumaça para esconder crimes contra a humanidade.

sábado, 3 de setembro de 2011

Filho de Kadafi está perto de Trípoli


Saif al-Islam tem viajado pelos arredores de Trípoli, reunindo-se com líderes tribais e preparando uma retomada da capital líbia

Saif al-Islam, filho de Muamar Kadafi, tem viajado pelos arredores de Trípoli, reunindo-se com líderes tribais e preparando uma retomada da capital líbia, disse o porta-voz do governo líbio nesta sexta-feira.
Numa conversa telefônica com a Reuters, falando de "um subúrbio ao sul de Trípoli", Moussa Ibrahim disse que o Conselho Nacional de Transição (CNT) não terá condições de governar o país depois de anunciar a tomada da capital, na semana passada, e sugeriu que os governos ocidentais reunidos na França estão participando de uma pantomima para entregar aos rebeldes o dinheiro roubado do povo líbio. Esse dinheiro, disse Moussa, “será a alegria e também a desgraça dos rebeldes, que vão guerrear entre eles porque lutam apenas pelo dinheiro, enquanto nós, o líder Muamar Kadafi e o povo da Líbia lutamos pela nossa terra, pela soberania da nossa nação. Então a nossa luta não termina, está apenas começando”.
Ele também apontou "a ironia" no fato de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ter se aliado a um combatente islâmico da Al Qaeda, e que agora afirma que estaria no comando militar de Trípoli. “É uma artimanha do imperialismo norte-americano para conflagrar a região, criar uma guerra religiosa, mas também nessa estratégia eles serão derrotados”.
Num tom tranquilo, o porta-voz não quis dizer com precisão onde estava, mas foi um número da Líbia que apareceu no identificador de chamadas do repórter, confirmando as palavras de Moussa Ibrahim.
"Eu me desloco bastante e não tenho conexão à Internet no momento", disse ele. "Na verdade", prosseguiu, "ainda ontem (quinta-feira) estive com o senhor Saif al-Islam ... num trajeto circundando Trípoli pelo sul."
Saif, que estudou em Londres e foi considerado durante anos o herdeiro político e ideológico de Kadafi, se reuniu com líderes tribais e outros apoiadores, para organizar a retomada de Trípoli.
"Ainda estamos muito fortes", afirmou ele, sem dizer tampouco qual era o paradeiro de Kadafi. “Uma revolução libertadora que completou 42 anos, Al Fateh, está no coração do povo, e estamos aguardando apenas o momento ideal para dar uma resposta efetiva aos mercenários e estrangeiros financiados pelo Ocidente que ousaram atacar a Líbia”.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

É guerra TOTAL (Marca Registrada), monsieur

Por Pepe Escobar

Os vencedores desse negócio “cinético” no norte da África (o governo Barack Obama jura que não é guerra) – descritos coletivamente como “Amigos da Líbia” [ing. Friends of Libya (FOL)] – mostravam-se risonhos, de excelente humor, ao se reunirem em Paris na 5ª-feira, sem ar condicionado, mergulhados nos odores potentes dos Brie e Roquefort, para celebrar jubilosamente a “operação” sancionada pela ONU e implementada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para derrubar o governo na Líbia.

Pode-se chamar de Guerra R2P (“Responsabilidade de Proteger a Pilhagem ocidental”); ou Guerra da Air France; ou Guerra da [empresa] TOTAL; seja como for, os “Amigos da Líbia” deitaram e rolaram, de olhos postos na divulgação ‘midiática’ de sua glória.

O Grande Libertador de Árabes, presidente Nicolas Sarkozy, o Neonapoleônico, festejava: “Cerramos fileiras com o povo árabe, em suas aspirações por liberdade”. Bahrainis, sauditas, iemenitas, para não falar de tunisianos e egípcios, têm muitos motivos para estar muito intrigados.

Sarkô acrescentou: “Dúzias de milhares de vidas foram poupadas, graças à intervenção”. Até os ‘rebeldes’ já divulgaram que houve pelo menos 50 mil mortos, com a OTAN ainda ocupada, bombardeando com selvageria.

O emir do Qatar afinal admitiu que Muammar Gaddafi, ainda foragido, não teria sido derrubado sem a OTAN. Mas acrescentou que a Liga Árabe poderia ter feito mais. De fato, fez: ofereceu um voto-álibi espúrio que abriu caminho para a aprovação da Resolução n. 1.973, redigida por franceses e britânicos.

O primeiro-ministro interino do Conselho Nacional de Transição [ing. Transitional National Council (TNC)] Mahmoud Jibril garantiu que “O mundo apostou nos líbios, e os líbios mostraram sua coragem e tornaram real o sonho”. “Mundo”, agora, significa “OTAN e umas poucas monarquias atrasistas do Golfo Persa”. Quanto ao resto, caluda.

Mas o mais sinistro, ator perfeito para o personagem, parece ter sido o secretário-geral da OTAN general Anders Fogh Rasmussen: “Não temos nenhum tipo de plano para intervir nos conflitos na Região”. E aí veio o inevitável “mas”: “Mas, em termos mais gerais, acho que se definiu um modelo. Demonstramos habilidade para agir em apoio às Nações Unidas e demonstramos habilidade para incluir parceiros externos da OTAN nesse tipo de operações”.

África e Oriente Médio, para nem falar de, na prática, quase todo o sul global, fiquem avisados: o imperialismo humanitário, sob o disfarce de R2P, é a nova lei do mundo.

Garantindo o butim

Horas depois do convescote à francesa, o diário Libération publicou em sua página na Internet uma carta datada de apenas 17 dias depois da Resolução n. 1.973. Na carta, o Conselho Nacional de Transição ratifica o acordo pelo qual cede nada menos que 35% da produção total de petróleo bruto da Líbia, em troca do apoio “humanitário” de Sarkô.

A carta é dirigida ao gabinete do emir do Qatar (rapaz de recados entre o Conselho Nacional de Transição e a França, desde o início) – com cópia para o então secretário-geral da Liga Árabe Amr Moussa – em papel timbrado da Frente Popular para a Libertação da Líbia.

O acerto confere exatamente com o que disse um funcionário de uma empresa de petróleo na Cyrenaica semana passada – que os “vencedores” da bonança do petróleo seriam as nações que, desde o início, apoiaram o Conselho Nacional de Transição.

Como era de esperar, houve dúzias de declarações para desmentir acordo, carta, tudo. O Quai d'Orsay – ministério de Relações Exteriores da França – disse que jamais ouvira falar de tal carta. Exatamente o mesmo, disse também Mansur Said al-Nasr, enviado especial do Conselho Nacional de Transição ao convescote em Paris. O homem do CNT na Grã-Bretanha, Guma al-Gamaty, acrescentou que todos os futuros contratos de petróleo serão distribuídos por “critérios de méritos”. E até a gigante francesa de energia, TOTAL, teve de se mexer: o presidente executivo da empresa, Christophe de Margerie, jurou que nunca discutiu negócios de petróleo com o CNT líbio.

Como se Sarkô e a empresa TOTAL fossem movidos por princípios altruístas, humanitários à moda de Rousseau, que jamais perderiam um segundo de tempo por causa de reles 44 bilhões de barris de petróleo.

Desde junho passado, a TOTAL já estava em Benghazi discutindo precisamente “petróleo”, com o CNT líbio. Já está em curso amarga “guerra de petróleo” intraeuropeia, entre a TOTAL e a italiana ENI.

A ENI – que opera na Líbia desde 1959 – já assinou acordo com o CNT para retomar os negócios e voltar imediatamente a fornecer combustível à Líbia – a ser pago futuramente, em petróleo. Quanto à TOTAL francesa, quer garantir fatia maior no bolo energético líbio; para isso, conta com receber novos contratos.

Deriva rumo às Arábias

É quase-oficial: a Líbia já não fica na África. Foi realocada (promovida?) para as Arábias. Talvez o rei saudita Abdullah tenha assinado o decreto, e ninguém nem percebeu.

Não há africanos nos “Amigos da Líbia” [ing. Friends of Lybia (FOL)]. A União Africana recusou-se a reconhecer o Conselho Nacional de Transição; só reconhecerá governo líbio se, por lá, aparecer governo legítimo.

Enquanto a OTAN seguia pela Air France – libertação vinda do céu, em classe executiva –, a União Africana desde o início clamou por um cessar-fogo, com início de negociações. Os “Amigos da Líbia” ignoraram imperialmente a União Africana.

É como se, hoje, só os africanos já soubessem que a missão de “proteger civis” da OTAN entrou em nova fase: bombardear Sirte – onde projéteis inteligentíssimos só matam apoiadores “do mal” (apoiadores de Gaddafi) camuflados em trajes civis, enquanto todas as boas pessoas escapam incólumes.

Também só os africanos parecem ter ouvido a ameaça de Ali Tarhouni – íntimo amigo do Qatar –, do Conselho Nacional de Transição; foi ameaça típica da era Vietnã. Falando das poucas cidades e regiões ainda leais a Gaddafi, Tarhouni disse que “Às vezes, para evitar derramamento de sangue, é preciso derramar sangue. Quanto mais depressa agirmos, menos sangue será derramado.”

Também provavelmente, só os africanos já sabem da limpeza étnica continuada, ininterrupta, da qual começam a aparecer cada vez mais notícias (não na imprensa-empresa), perpetrada pelos ‘rebeldes’. Como se o resto do mundo não soubesse que o povo da Cyrenaica sempre foi extremamente preconceituoso contra africanos subsaharianos.

Ou, quem sabe, só os africanos interpretaram corretamente a agenda dos “Amigos da Líbia” e viram ali, bem claros, o novo status da Líbia, de mal disfarçada colônia ocidental, e a fábula neo-Orwelliana do ‘imperialismo humanitário’.

Tradução: Vila Vudu

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Massacre imperialista via OTAN em Sirte



Pelo quinto dia consecutivo, aviões da OTAN estão despejando mísseis na cidade de Sirte, cidade natal de Muammar Gaddafi, não permitindo que ninguém escape. O perímetro da cidade é cercada por pontos de verificação rebelde, por trás da qual existem unidades de forças especiais da Grã-Bretanha, França, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Mercenários regiamente pagos pelas monarquias árabes reacionárias, interessadas em criar mais uma monarquia fantoche na região.

A saída da cidade está completamente obstruída. Nem mulheres, nem as crianças são autorizados a sair. Homens, capturados tentando deixar a cidade, juntamente com suas famílias, são filmados, identificados e mandados de volta para a cidade sob bombardeio. Não há praticamente nenhuma forma de enterrar os cadáveres, afirmou em uma carta que foi recebida no site russo Argumenty.ru esta manhã. O autor da denúncia é de Ilya Korenev, ex-oficial das forças soviéticas e, mais tarde técnico em hidráulica que reside há decadas em Sirte.

O ex-oficial da antiga União Soviética, tenente-coronel aposentado Ilya Korenev, decidiu enviar a carta para que divulguem um verdadeiro massacre, crime de genocídio, que está sendo praticado em Sirte pela OTAN, sob os olhose cumplicidade da ONU.
Na cidade até agora nenhuma tropa, rebeldes ou das forças especiais estrangeiras se atreveram a entrar. Durante a noite havia pequenas provocações, a fim de tentar estabelecer a localização das tropas do governo. Vários esquadrões de rebeldes tentaram uma ação de sondagem na noite de reconhecimento, mas foram destruídos. Ao mesmo tempo, diversos aviões de reconhecimento não tripulados (UAV), aviões de espionagem chamados de “zangão”, cortam o ar a cada 2ou 3 horas para tentar localizar alvos militares ou defesas da cidade. Após os vôos não tripulados,a OTAN bombardeia indiscriminadamente, assassinando milhares de civis indefesos. No entanto, os defensores da cidade já se deslocaram para outros locais, escreve o tenente-coronel.

Segundo ele, "a situação assemelha-se ao terrível inverno de 95, em Grozny, Chechênia, quando a OTAN bombardeava tudo que se movia, sem a devida orientação ou sistemas de coordenadas precisas. A única diferença era que, então, a força aérea russa não tinha muito combustível, e os vôos não foram tão intensas como agora. No momento, a força aérea da OTAN está no ar quase o tempo todo ".