quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Venezuela contra la masacre imperialista en Líbia


El próximo jueves 1ro. de Septiembre (Día de la Revolución Libia liderada por Kaddafi) realizaremos en la ciudad de Barinas-Venezuela (Museo de las Culturas del LLano) un evento Político-Cultural que hemos denominado "VOCES CONTRA LA MASACRE IMPERIALISTA EN LIBIA" . Esta actividad se iniciará a las cuatro de la tarde con la participación de varios ponentes, entre los cuales se cuenta el diputado al Parlamento Latinoamericano y dirigente del Partido Comunista de Venezuela, Carolus Wimmer. Así mismo, intervendrán poetas y músicos de la región sensibilizados por la lucha que libra el pueblo libio contra la invasión cruenta y asesina de EEUU-OTAN.
A tales efectos, esperamos contar con la asistencia de colectivos que conforman los Consejos Comunales de la localidad y militantes de los partidos y movimientos que apoyan y trabajan por el proceso revolucionario bolivariano venezolano; así como con comunidad en general que estamos convocando por diversas vías.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Rebeldes da Líbia só se mantém com apoio da Otan




Não foram os rebeldes que conquistaram temporariamente algumas cidades da Líbia, incluindo diversos bairros de Trípoli, foi a Otan com armamento e militares das maiores potências do planeta. Sem o apoio da Otan e sem a conspiração e financiamento do governo norte-americano, os grupos rebeldes não teriam sequer existido.
A atuação da Otan na Líbia não passa de genocídio contra uma nação soberana, um povo livre que estava progredindo apesar dos boicotes de décadas passadas, e do ataque norte-americano em 1986. O país conquistou o melhor índice IDH da África (maior até que o do Brasil), segundo a própria ONU, mas tudo isso não foi suficiente para deter os planos criminosos dos governos imperialistas dos EUA, França e Inglaterra, que fizeram a guerra para roubar petróleo e gás natural da Líbia.
A imprensa ocidental, a maioria dos meios de comunicação, deveria ser levada aos tribunais internacionais por crime de guerra, por apoio ao genocídio na Líbia. De forma criminosa e inescrupulosa a mídia publica mentiras para beneficiar os imperialistas agressores, tentando justificar um dos maiores crimes da história da humanidade.
Há seis meses a Otan bombardeia cidades e aldeias líbias, assassinando milhares de civis indefesos. Nos últimos dias os covardes bombardeios se concentram em Sirte, a cidade natal do líder Muamar Kadafi.
Diante do silêncio criminoso das Nações Unidas e da maioria dos governos, a cidade de Sirte está sendo destruída pelas bombas da Otan que dia e noite matam milhares e milhares de civis inocentes.
Esse genocídio está sendo feito em nome da construção da liberdade na Líbia, tal qual fizeram no Afeganistão e no Iraque, onde plantaram governos fantoches que permitem o roubo e o saque das riquezas naturais dos países dominados.
Na falta de coragem para mostrar os crimes diários da Otan em território líbio, a imprensa ocidental começa a fabricar factóides sobre massacres por parte das tropas apoiadoras de Kadafi. É um verdadeiro circo onde os leitores e telespectadores são feitos de palhaços por uma mídia mercenária que visa apenas o lucro financeiro às custas da destruição de cidades e do sangue de inocentes.
Durante um encontro com chefes militares dos países que formam a coalizão anti-Kadafi, o chefe dos rebeldes, Mustafá Abdel Jalil, disse que, apesar de enfraquecido, o líder líbio ainda representa uma ameaça (ameaça aos usurpadores), e que os rebeldes necessitam que a Otan mantenha os bombardeios e o apoio militar. A afirmação é uma declaração de incapacidade dos rebeldes se manterem em guerra sem dinheiro e armas estrangeiras, e bombardeios diuturnos da Otan.
O povo árabe líbio está passando pelo maior desafio da sua história, sofrendo ataques covardes das maiores potências militares do planeta. O povo líbio está pagando um alto preço pela sua soberania e liberdade.
A vitória virá porque o líder Muamar Kadafi está cercado de revolucionários sinceros e patriotas, que lutarão de todas as formas para libertar a Líbia da tirania das potências imperialistas que praticam terrorismo de Estado através da Otan.
A fumaça das bombas da Otan ainda não baixou e as potências que financiaram e organizaram esta guerra já estão se desentendendo sobre o saque e o roubo do petróleo líbio. Esta é a guerra “humanitária” dos imperialistas inimigos de todos os povos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Otan entrega poder na Líbia para a al-Qaeda, para depois combatê-la


O jornalista Pepe Escobar escreveu no Asia Times Online uma interessante análise sobre como a al-Qaeda chegou ao poder em Trípoli. Ele identificou o nome do líder dos jihadistas da al-Qaeda na Líbia: Abdelhakim Belhaj.
A história de como um comandante da al-Qaeda acabou por converter-se no principal comandante militar líbio na cidade de Trípoli ainda em guerra, “põe por terra – mais uma vez – a selva de espelhos que se conhece como “guerra ao terror”, além de abalar profundamente toda a propaganda de uma “intervenção humanitária” tão cuidadosamente inventada para encobrir a intervenção militar, pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na Líbia.
A fortaleza de Bab-al-Aziziyah, onde vivia Muammar Gaddafi foi invadida e conquistada, semana passada, quase exclusivamente por homens de Belhaj – que constituíam a linha de frente de uma milícia de berberes das montanhas do sudoeste de Trípoli. Essa milícia é a chamada hoje “Brigada de Trípoli”, que recebeu treinamento secreto, durante dois meses, de Forças Especiais dos EUA. Ao longo de seis meses de guerra civil/tribal, essa seria a milícia mais efetiva dos ‘rebeldes’.
Abdelhakim Belhaj, também conhecido como Abu Abdallah al-Sadek, é jihadista líbio. Nascido em maio de 1966, aperfeiçoou seus saberes com osmujahideen da Jihad antissoviética dos anos 1980s no Afeganistão.
É fundador do Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)] do qual é o principal comandante – com Khaled Chrif e Sami Saadi como assessores e representantes. Depois que os Talibã assumiram o poder em Kabul em 1996, o LIFG criaram dois campos de treinamento no Afeganistão; um deles, 30 km ao norte de Kabul – comandado por Abu Yahya – exclusivo para jihadistas ligados à al-Qaeda.
Depois do 11/9, Belhaj mudou-se para o Paquistão e para o Iraque, onde esteve em contato com ninguém menos que o ultra linha-dura Abu Musab al-Zarqawi – tudo isso antes que a al-Qaeda no Iraque se declarasse a serviço de Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri e super ultra turbinasse suas práticas nefandas.
No Iraque, os líbios formavam o maior contingente de jihadistas sunitas estrangeiros, perdendo só para os sauditas. Além disso, os jihadistas líbios sempre foram superstars no mais alto escalão da Al-Qaeda “histórica” – de Abu Faraj al-Libi (comandante militar até ser preso em 2005, e hoje um dos 16 detentos “de mais alto valor” no centro de detenção dos EUA em Guantánamo), a Abu al-Laith al-Libi (outro alto comandante militar, morto no Paquistão no início de 2008).
O Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)] está nos radares da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA desde o 11/9. Em 2003, Belhaj foi afinal preso na Malásia – e transferido pela via das “entregas especiais”, para uma prisão secreta em Bangkok onde foi devidamente torturado (aliás, a tortura é uma praticado governo norte-americano que a Anistia Internacional e o Tribunal de Haia ignoram vergonhosamente).
Em 2004, os norte-americanos decidiram mandá-lo, como presente, para a inteligência da Líbia – até que foi libertado pelo governo Gaddafi, em março de 2010, com outros 211 “terroristas”, em golpe de propaganda divulgado com muito alarde. (...)
Interessa observar que isso durou até 2007, quando o número 2 da al-Qaeda, Zawahiri, anunciou oficialmente a fusão do Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)] com a al-Qaeda no Mahgreb Islâmico [ing. Al-Qaeda in the Islamic Mahgreb (AQIM)]. Desde então, para todas as finalidades práticas, LIFG/AQIM passaram a ser um e o mesmo grupo, do qual Belhaj era/é o principal comandante e emir.
Em 2007, o Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG)] estava convocando uma Jihad contra Gaddafi, mas também contra os EUA e sortido grupo de “infiéis” ocidentais.
Rode a fita adiante, até fevereiro passado. É quando, afinal livre da prisão, Belhaj resolveu voltar ao modo Jihad e alinhar seus soldados com o ‘levante’ de ‘rebeldes’ que começava a ser plantado na Cirenaica.
Todas as agências de inteligência nos EUA, Europa e em todo o mundo árabe sabem de onde brotou Belhaj. Mesmo que não soubessem, o próprio Belhaj já disse na Líbia que o único interesse, seu e de suas milícias, é implantar a lei da sharia.
Não há, nem parecido, nisso tudo, qualquer processo “pró-democracia” – nem que se tente a mais complexa ginástica imaginativa. Mas, ao mesmo tempo, força de tal importância não seria apeado da guerra da OTAN só porque não gosta muito de “infiéis”.
O assassinato no final de julho, do comandante dos ‘rebeldes’ general Abdel Fattah Younis – foi morto pelos próprios ‘rebeldes’ – parece apontar diretamente para Belhaj ou, no mínimo, para gente próxima dele.
É importante saber que Younis – antes de desertar do governo Gaddafi – foi responsável, no governo Líbio, pelo combate feroz que as forças especiais líbias moveram contra o Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG) na Cirenaica, de 1990 a 1995.
O Conselho Nacional de Transição, segundo um de seus membros, Ali Tarhouni, teria deixado ‘vazar’ que Younis foi moto por uma nebulosa brigada, de nome Obaida ibn Jarrah (um dos companheiros do Profeta Maomé). Agora, a tal brigada parece ter-se dissolvido no ar.

Cale o bico, ou arranco sua cabeça Não pode ser acaso, que todos os principais comandantes militares ‘rebeldes’ sejam membros do Grupo de Combate Islâmico Líbio [ing. Libyan Islamic Fighting Group (LIFG), de Belhaj em Trípoli, a um Ismael as-Salabi em Benghazi e certo Abdelhakim al-Assadi em Derna, para nem mencionar figura importantíssima, Ali Salabi, com assento no núcleo do Conselho Nacional de Transição. Saladi foi quem negociou com Saif al-Islam Gaddafi o “fim” da Jihad do Grupo de Combate Islâmico Líbio contra o regime Gaddafi, com o que garantiu para si futuro brilhantíssimo entre esses ressuscitados “combatentes da liberdade”.
Ninguém precisará de bola de cristal para antever consequências. O grupo unificado LIFG/AQIM – já tendo alcançado poder militar e assentado entre os “vencedores” – nem remotamente desistirá do poder, só para satisfazer os anseios da OTAN.
Simultaneamente, entre a névoa da guerra, ainda não se sabe se Gaddafi planeja atrair a Brigada de Trípoli para um cenário de guerrilha urbana; ou se arrastará atrás de si as milícias ‘rebeldes’, atraindo-as para o coração dos territórios da tribo Warfallah.
A esposa de Gaddafi é da tribo Warfallah, a maior da Líbia, com mais de 1 milhão de almas e 54 subtribos. Diz-se pelos corredores em Bruxelas, que a OTAN prevê que Gaddafi lutará durante meses, se não anos; daí o prêmio (“Procurado vivo ou morto”) à moda texana de George W Bush, pela cabeça de Gaddafi; e a volta desesperada da OTAN ao plano A (o golpe militar para derrubar Gaddafi).
É possível que a Líbia enfrente hoje o duplo espectro de uma Hidra guerrilheira de duas cabeças: forças de Gaddafi contra um governo central fraco do Conselho Nacional de Transição e tropas da OTAN em terra na Líbia; e a nuvem de Jihadistas do conglomerado LIFG/AQIM em Jihad contra a OTAN (se forem afastados do poder). (...)
Desde o primeiro dia, Gaddafi disse e repetiu que o ataque contra a Líbia era operação da al-Qaeda e/ou operação local com financiamento estrangeiro. Esteve certo, portanto, desde o primeiro.
Gaddafi também disse que seria o prelúdio da ocupação estrangeira, cuja meta é privatizar e roubar os recursos naturais da Líbia. Parece que acertou – também nisso.
Os “especialistas” de Cingapura que elogiaram a decisão do regime de Gaddafi de libertar os Jihadistas do Grupo de Combate Islâmico Líbio disseram que seria “estratégia necessária para mitigar a ameaça que pesa contra a Líbia”. Hoje, o que se vê é que o conjunto LIFG/AQIM – quer dizer, a al-Qaeda – conseguiu posicionar-se para exercer suas opções como “força política (líbia) local”.
Dez anos depois do 11/9, não é difícil imaginar que, no fundo do Mar da Arábia, há um crânio decomposto que, esse sim, está rindo por último. E lá ficará. Rindo.”
O interessante no artigo acima é constatar que os militares norte-americanos repetem na Líbia a estratégia que usaram no Afeganistão e no Iraque, a manjada frase “dividir para governar”, mas como a história só se repete como farsa, ao entregar o poder na Líbia para a al-Qaeda os governos dos EUA, França, Inglaterra estão entregando o país à anarquia e ao obscurantismo, ao radicalismo religioso, ao retrocesso social nos direitos das mulheres (que passarão a ser obrigadas a usar burca), como no Afeganistão, e talvez proibidas de dirigir automóveis e trabalhar fora, como no reino da Arábia Saudita.
A guerra por democracia, a derrubada de um “ditador”, não passa de lorotas que a mídia ocidental engole de forma subserviente e irresponsável.
Na Líbia de Gaddafi as mulheres dirigiam, trabalhavam fora, eram empresárias ou associadas, não usavam burca – e muitas nem mesmo o véu. Agora, em nome da “defesa da liberdade e da democracia” assistiremos ao retrocesso dos costumes na Líbia, a opressão das mulheres, dos gays, e das diferentes religiões que até ontem tinham liberdade de atuação na Líbia.
Por trás dessa estratégia aparentemente suicida do governo norte-americano está um plano delineado no Afeganistão e no Iraque: levar morte e destruição, destruir o país para roubar as riquezas naturais, sem risco de enfrentar resistência popular, porque o povo estará dividido e enfraquecido com guerras, revoltas e rebeliões sem fim. Fabricar a guerra entre xiitas e sunitas é o grande sonho dos imperialistas para enfraquecer o país.
Esta é a tática do capitalismo dominado pelo sionismo. Os povos não passam de moedas de troca. Quanto mais mísseis e bombas forem disparadas, maior será o lucro da indústria bélica e dos banqueiros sionistas que financiam as guerras. E maior será a corrupção de políticos que se dizem paladinos da ilusória democracia representativa.

Porque a população líbia não resistiu?
Embora armada – Gaddafi mandou distribuir armas ao povo – a população líbia não ofereceu a resistência esperada, e o motivo é um só: a população está aterrorizada com os bombardeios diários da Otan. As crianças estão traumatizadas. A maior força militar do planeta atacou por seis meses seguidos uma nação soberana de apenas 6 milhões de habitantes. Foi – é – a covardia das covardias, um massacre inominável que, se um dia houver justiça neste planeta, Obama, Sarkozy, Cameron e Rasmussen serão fuzilados, condenados por genocídio na Líbia.
A população não entregará suas armas e esperará dias melhores para combater os imperialistas norte-americanos, ingleses e franceses, e os jihadistas da al-Qaeda.
No campo de batalha o “leão do deserto”, o beduíno Muamar Gaddafi resiste e se prepara para uma guerra de guerrilha no deserto e no litoral da Líbia. Assim como fez Omar Moukhtar, o primeiro leão do deserto, que combateu até sua última gota de sangue para que um dia a Líbia conquistasse sua independência e soberania. E o povo líbio derrotou os italianos. Em 1968 os líbios venceram o ataque norte-americano. Nos próximos anos eles também vencerão esta guerra covarde da Otan a serviço das potências imperialistas. É uma questão de tempo, e os árabes – mais do que nenhum outro povo da Terra – sabem fazer do tempo um aliado infalível.

José Gil

Sete pontos acerca da Líbia


por Domenico Losurdo

Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está a acontecer na Líbia:

1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela NATO. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de "informação" burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra "inteiramenteexterna, ou seja, feita pelas forças da NATO"; foi "o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi". Uma peça do International Herald Tribune de 24 de Agosto mostra-nos "rebeldes" que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da NATO.

2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que "três semanas" antes da resolução da ONU já estavam em acção na Líbia "centenas" de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas no International Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de "pequenos grupos da CIA" e de uma "ampla força ocidental a atuar na sombra", sempre "antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março".

3. Esta guerra nada tem a ver com a protecção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: "A NATO que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra". Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise econômica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das "nações não ocidentais" e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa, em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: "Nova Líbia, desafio Itália-França". Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético ativismo de Sarkozy, "compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: guerra econômica, com um novo adversário: a Itália obviamente".

4. Desejada por motivos abjectos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: "Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço".

5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reacções da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: "Caça a Kadafi e seus filhos, casa por casa". Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Kadafi.

6. Não menos bárbara que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a NATO martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a proteção dos civis! E a imprensa, a "livre" imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a "notícia" segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta "notícia" caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra "nova" segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar.

7. Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a NATO apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o "Negus dos negreiros"; hoje a NATO exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o "ditador". Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: "O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: 'a guerra deve fazer-se', a guerra seguia-se efectivamente". Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma "liberal" daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os "monarcas absolutos" da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.

O original encontra-se em http://domenicolosurdo.blogspot.com/ ; a versão em francês em http://www.legrandsoir.info/sept-points-sur-la-libye.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sábado, 27 de agosto de 2011

Líbia: Manter viva a chama da liberdade de opinião


Por Stephen Lendman

A caça ao petróleo da Líbia começou em abril, quando o ministro das Relações Exteriores da Itália Franco Frattini disse que Paolo Scaroni, presidente da gigante italiana do petróleo ENI, mantivera contato com o Conselho Nacional de Transição na Líbia, para “reiniciar a cooperação no setor energético e manter a colaboração com a Itália no setor do petróleo.”

Em junho, o Washington Post publicou que ConocoPhillips, outra gigante do petróleo, essa norte-americana, e outras companhias associadas, também haviam feito contato com o Conselho Nacional de Transição. Nansen Saleri, presidente da empresa Quantum Reservoir Impact, de engenharia, disse que: “Agora já podemos ver que lado vencerá, e não é o lado de Gaddafi. Várias partes do mosaico começam a tomar forma. As empresas ocidentais estão-se posicionando. Daqui a cinco anos, a produção de petróleo na Líbia será maior que hoje e os investimentos estão começando a aparecer”. É o que ele pensava!

Embora seja responsável por apenas 2% da produção mundial de petróleo, a Líbia é o mais rico país africano em reservas de petróleo de alta qualidade – grande parte do qual ainda não está sendo explorado.

Dia 22/8/2011, no New York Times, Clifford Krauss escreveu que “A guerra não acabou e já começou a disputa pelo acesso ao petróleo líbio.”

De fato, os abutres já haviam chegado vários meses antes, certos de que a morte e a putrefação da nação líbia seria questão de tempo. Pode ser que sim, pode ser que não. Apesar da euforia que as televisões e jornais exibem, a coisa não está, não, de modo algum, resolvida.

Várias empresas, contudo, além da ENI e da ConocoPhillips, já estavam envolvidas na luta – a britânica BP, a francesa Total, a espanhola Repsol YPF, a austríaca OMV, as norte-americanas Hess, Marathon, talvez a ExxonMobil, e outras.

Dizem os jornais que Rússia, Brasil e sobretudo a China seriam excluídas da partilha, por ordens de Washington – que já dava Gaddafi como carta fora do baralho.

Além disso, o governo Obama e a OTAN já tinham pronto um plano detalhado para a Líbia sem Gaddafi, que incluía uma força – exército de ocupação – sustentada pelos Emirados Árabes Unidos, suplementada talvez pelos ‘capacetes azuis’ da ONU.

Em outras palavras, o plano previa detonar a soberania da Líbia e substituí-la por força militar e paramilitar de ocupação comandada por governo-fantoche que serviria aos interesses de empresas ocidentais, não dos líbios. Basta isso para se ter certeza de que haverá resistência líbia, como há resistência afegã, iraquiana e por todos os cantos naquela região, contra EUA-OTAN.

Informação distribuída pelo website DEBKAfile (http://www.debka.com/) ligado ao Mossad israelense pode ser verdadeira ou falsa, como se sabe. Mas dia 23/8/2011 aquela página informava que “milhares de combatentes armados de tribos leais a Gaddafi estão em movimento na direção de Sabha” no sudoeste da Líbia – região na qual se supõe que Gaddafi esteja escondido. “Entre eles, há importantes chefes da tribo Gaddadfa” (na qual se inclui a família Gaddafi) estimados em cerca de 100 mil na região de Sirte, no litoral entre Trípoli e Benghazi.

DEBKA dizia que forças especiais do Reino Unido, França, Jordânia e Qatar “lideraram o ataque dos rebeldes a Trípoli e ao complexo Bab al-Azaziya onde Gaddafi vivia”. Foi a primeira vez que tropas ocidentais e árabes “combateram lado a lado, em qualquer das revoltas árabes da Primavera Árabe (2011) e a primeira vez que forças árabes são incluídas em operação da OTAN”.

Elementos ocidentais envolvidos incluiriam agentes especiais do Reino Unido e da França, além de ‘forças especiais’ da Jordânia – “especialistas em guerrilha urbana e em capturar instalações fortificadas”, além de forças especiais do Qatar.

Apesar de dizer que Trípoli estaria quase toda sob controle dos ‘rebeldes’, DEBKA dizia que “a guerra não será rápida”. Pensavam talvez no Afeganistão e no Iraque. Mas a guerra na Líbia pode ser muito mais longa do que DEBKA e outros supõem.

Em Progressive Radio News Hour (programa gravado na 5ª-feira para ir ao ar no sábado), o professor de Direito Francis Boyle disse aos ouvindo que se deve esperar guerra longa na Líbia, além de ser possível que o conflito se alastre pela região e talvez além dela. Não é o único; Webster Tarpley também vê risco de longa guerra civil (tribal) na Líbia. Boyle e outros também desmentem os relatos de que Trípoli estaria sob controle dos ‘rebeldes’ e dizem que a batalha prossegue nas ruas.

A Grande Mentira ‘jornalística’ contra os fatos

Desde o início dos conflitos na Líbia, a imprensa-empresa veiculou informação falsa sobre vitórias da OTAN ou de grupos aliados à OTAN. A ideia, evidentemente, é controlar as mensagens, confundir o inimigo e não gerar pânico nos países membros da OTAN (cuja população tem filhos, filhos, irmãos, maridos, pais no front), fazendo crer que tudo estaria andando conforme o previsto e que a vitória estaria próxima.

[O enviado da Rede Globo, Marcos Uchoa, que chegou ontem a Trípoli, ‘informou’, no “Jornal da Globo”, que os líbios “têm o hábito de atirar para cima” (informação que foi acompanhada de movimento do dedo do jornalista, como se estivesse com o dedo num gatilho), e que os tiros que se ouviam ao fundo, enquanto o jornalista falava, festejando a paz que o cercava na Líbia, não passavam de “tiros comemorativos”. Seja verdade seja mentira, fato é que nunca antes na história desse país alguém se atrevera a falar de “tiros comemorativos” em sentido e com entonação indiscutivelmente laudatórios. Mesmo no pior jornalismo do mundo, difícil imaginar ridículo mais absoluto (NTs)].

De fato, a situação em Trípoli e em outros pontos da Líbia nada tem de semelhante ao que a OTAN parece ter previsto; por todos os lados o que se vê é caos e tiros. Nada absolutamente está decidido e o que se discute é que tipo de novos exércitos ocidentais serão mandados para lá, se os gaddafistas não forem rapidamente contidos e os ‘rebeldes’ não se impuserem. O que se vê também é que os ‘rebeldes’ não têm qualquer plano de ação, nenhuma organização e estão sofrendo baixas pesadas – dado que já não contam com o apoio aéreo da OTAN que lhes deu cobertura no sábado, para entrarem em Trípoli.

Dia 24 de agosto, a rádio Voice of Russia noticiou que “Agências russas ouviram pessoal médico ucraniano em Trípoli que falam de balas perdidas, prédios saqueados e absoluto caos. Os habitantes da cidade mantêm-se em casa e as ruas estão tomadas por bandidos. Testemunhas oculares falam de uma gangue armada que teria invadido e saqueado as embaixadas da Bulgária e da Coreia do Sul e a residência do embaixador da Ucrânia. Não há dúvidas de que a luta em Trípoli continua. Absolutamente nenhum analista sério arrisca-se a dizer que os rebeldes controlam alguma coisa (...).”

Toda a mídia-empresa ocidental opera na direção de desinformar e distorcer a realidade em campo. Quanto mais se acompanham as grandes redes de televisão e jornais, mais se tem certeza de que nada sabem e nada vem – ou que mentem deliberadamente.

No New York Times, o que se viu de mais aproximado da verdade foram alguns fragmentos de frase de Anthony Shadid, dia 24/8, em matéria intitulada “Depois das revoltas árabes, reina a incerteza”, em que diz: “A Líbia é uma revolução em andamento, que tanto inspira quanto gera ansiedade, e ilustra o quanto a mudança de regime pode ter-se tornado perigosa nessa nova fase da Primavera Árabe”.

O que se pode dizer com alguma certeza

O que continua na Líbia não é uma revolução: é uma guerra civil instigada (e armada) pelo ocidente. Que é violenta, não há dúvida; que gera ansiedade, ok. Mas nada tem de “inspiração” para ninguém, sobretudo não, evidentemente, para os milhões de líbios que estão sob fogo cerrado da OTAN e de mercenários ou de grupos da oposição que, sob Gaddafi, jamais andaram pelas ruas atirando a esmo.

Quanto à “Primavera Árabe” sequer começou e está muito longe de dar flores políticas consistentes – por mais que aquelas lutas sejam “inspiradoras” e se deva esperar que continuem a dar coragem para que os povos lutem por direitos que há muito tempo lhes têm sido negados. A ‘inspiração’ da “Primavera Árabe” nada tem a ver com a inspiração que move as gigantes do petróleo no ataque/saque que estão movendo contra a Líbia.

Mas há fragmentos de verdade no que Shadid escreveu: a liderança do Conselho Nacional de Transição é, sim “opaca e sem coesão”. Anota também que armar mercenários estrangeiros, como faz a OTAN hoje na Líbia, para apresentá-los ao mundo como “rebeldes” e “combatentes da democracia” é “exatamente o mesmo tipo de intervenção que tem longa e triste história e sempre foi tóxica, no mundo árabe”. E que “a transição para uma nova ordem”, nessas circunstâncias, pode ser... tumultuada”. A palavra é fraca, mas o argumento não está completamente viciado, como os demais, nas páginas daquele jornal, sobre o mesmo tema.

Mas Shadid esquece de dizer que na Líbia, no Egito, no Bahrain, na Tunísia e em muitos outros pontos do mundo árabe, ninguém, em sã consciência, consegue ver algum sinal de alguma dor do parto de alguma democracia. Também não comenta o que disse o Dr. Moussa Ibrahim, porta-voz do governo líbio: que as forças pró-Gaddafi controlam 20 cidades e extensas áreas do país, acrescentando: “Continuaremos a resistir até que Gaddafi volte ao poder. Todo o comando do governo está em Trípoli. As forças legais, exército e voluntários controlamos a cidade”.

É quadro absolutamente diferente do que a OTAN e as empresas de televisão e jornais do ocidente insistem em pintar. Não só a OTAN e as empresas de televisão e jornais, mas, também gente respeitada como, dentre outros, o prof. Juan Cole, que festejava, não se sabe o quê, em artigo do dia 22 de agosto [aqui omitido].

O artigo do prof. Cole só faz repetir desinformação, má informação, distorções e completas mentiras de jornais e agências noticiosas. Dificilmente se encontraria mais lamentável expressão de desonestidade intelectual: parece ser discurso de quem espera colher benefícios da mentira. Não é o único, nem é o pior. O prof. Cole é, apenas, mais um, numa legião. Toda e qualquer mentira, suficientemente repetida, convence os mais tolos que, infelizmente, são maioria estatística.

Muito mais confiáveis são os relatos que dizem que a situação na Líbia está indefinida, que é caótica, que reina a mais terrível violência e que nada está resolvido. Também é verdade indiscutível – vê-se nas ruas – que Gaddafi continua imensamente popular. Simultaneamente, a população odeia a OTAN e os assassinos ‘rebeldes’ com os quais não querem qualquer tipo de aproximação com associação. Resultado disso, deve-se esperar que a luta prossiga por muito tempo.

Se a população líbia conseguirá derrotar a OTAN, ainda não se pode dizer. O que se pode dizer é que isso é, resumidamente, o que a população líbia mais deseja que aconteça. É desejo, também, de todos que reconheçam que é direito de todos os povos resistir à dominação imperial.

É possível que o espírito da Primavera Árabe – muito mais que os resultados obtidos até aqui – consiga inspirar os líbios e outros árabes a não ceder ante a violência da agressão e da ocupação militares. É sua única chance.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Propaganda de guerra pelos jornais e televisão


Jornalistas devem ser julgados pela Justiça Internacional
A propaganda de guerra entrou em nova fase, e hoje envolve ação coordenada de estações de TV por satélite. CNN, France24, a BBC e a rede al-Jazeera converteram-se em instrumentos de desinformação, usadas para demonizar governos e governantes e justificar agressões armadas. Essas práticas são crimes tipificados na legislação internacional. É preciso pôr fim à impunidade desses criminosos ‘midiáticos’.
A informação processada e distribuída sobre a Líbia e a Síria marca um ponto de virada na história da propaganda de guerra, e os meios usados tomaram de surpresa a opinião pública internacional.
Quatro potências – EUA, França, Reino Unido e Qatar – somaram seus meios técnicos para intoxicar a ‘comunidade internacional’. Os principais canais usados foram a CNN (embora privada, interage com a unidade de guerra psicológica do Pentágono), France24, a BBC e a rede al-Jazeera.
Esses veículos estão sendo usados para atribuir aos governos da Líbia e da Síria crimes que não cometeram, ao mesmo tempo em que trabalham para encobrir os crimes que estão sendo cometidos pelos serviços secretos daquelas potências bélicas e pela OTAN.
Assistimos a golpe similar, em menor escala, em 2002, quando os canais Globovisión distribuíram imagens do que seria (mas não era) uma revolta popular contra o presidente eleito Hugo Chávez e imagens de ativistas armados, identificados por Globovisión como se fossem ativistas chavistas, atirando contra manifestantes. Essa encenação tornou-se necessária para mascarar um golpe militar orquestrado por Washington, com colaboração de Madrid. Em seguida, depois que levante popular legítimo fez abortar o golpe e reintegrou o presidente eleito, investigações conduzidas pela justiça venezuelana e por jornalistas sérios revelaram que a ‘revolução’ filmada e distribuída pelo canal Globovisión não passava de simulacro, criado por artifícios técnicos, e que nenhum chavista jamais atirara contra manifestantes; e que, isso sim, os manifestantes haviam sido vítimas de atiradores mercenários a serviço da CIA.
Vê-se acontecer o mesmo, novamente, agora, mas os criminosos são canais de televisão consorciados que distribuem imagens de eventos inexistentes na Líbia e na Síria. O objetivo é fazer-crer que a maioria dos líbios e dos sírios desejariam a destruição de suas instituições políticas e que Muammar Gaddafi e Bashar al-Assad teriam massacrado o próprio povo. A partir dessa intoxicação ‘midiática’, a OTAN atacou a Líbia e está em vias de também destruir a Síria.
Fato é que, depois da 2ª Guerra Mundial, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou legislação específica que proíbe e pune essas práticas ‘midiáticas’.
A Resolução n. 110, de 3/11/1947 criou “procedimentos a serem adotados contra a propaganda e incitadores de nova guerra”, condena “propaganda construída explicita ou implicitamente para provocar ou encorajar qualquer tipo de ameaça à paz, quebra de paz negociada ou ato de agressão."
A Resolução n. 381 de 17/11/1950 reforça aquela condenação e condena explicitamente qualquer censura a informação, como parte da propaganda contra a paz.
Finalmente, a Resolução n. 819 de 11/12/1954 sobre “remoção de barreiras que impeçam a livre troca de informação e ideias” reconhece a responsabilidade dos governantes no ato de remover barreiras que impeçam a livre troca de informação e ideias.
Ao fazê-lo, a Assembleia Geral desenvolveu doutrina própria sobre a liberdade de expressão: condenou todas as mentiras que levam à guerra; e impôs o livre fluxo de informações e ideias e o debate crítico, como armas a serem usadas necessariamente a favor da paz.
Palavras e, sobretudo, imagens, podem ser manipuladas de modo a servirem como ‘justificativa’ para os piores crimes. Nesse sentido, a intoxicação da opinião pública provocada pelas falsas notícias distribuídas por CNN, France24, BBC e al-Jazeera pode ser definida como prática de “crime contra a paz”.
Essas práticas criminosas ‘midiáticas’ devem ser vistas como mais sérias do que outros crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos pela OTAN na Líbia e por agências ocidentais de inteligência na Síria, na medida em que os crimes ‘midiáticos’ precederam e possibilitaram a prática dos demais crimes.
Todos os jornais, redes de televisão públicas e privadas e todos os jornalistas que operaram na propaganda de guerra – a favor dos ataques militares contra a Líbia (e, deve-se prever, em breve também contra a Síria) – devem ser julgados pela Corte Internacional de Justiça.
Caso isso não ocorra e a impunidade das grandes redes de comunicação sigam impunes em seu trabalho de divulgar mentiras para facilitar o roubo e o saque de pequenos países, será uma demonstração de que a Justiça internacional é uma farsa, uma balela, um grupo nocivo de marionetes a serviço das potências imperialistas. Portanto, caberá aos povos praticar a justiça com as próprias mãos para punir os governantes e proprietários de meios de comunicação terroristas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A guerra na Líbia em fotos






Enquanto a imprensa ocidental festeja a carnificina promovida pela Otan na Líbia, o avanço de rebeldes (ratos mercenários) e criminosos comuns, o mundo assiste a repetição das guerras colonialistas promovidas pelos EUA, França e Inglaterra.
Por trás dos assassinatos demais de 4.000 líbios (entre homens, mulheres, velhos e crianças), a expulsão de mais de 1,5 milhão de trabalhadores estrangeiros do país, o naufrágio no Mar Mediterrâneo de mais de 500 embarcações onde morreram afogados mais de 2000 pessoas, a destruição da infraestrutura do país (bombardeada dia e noite pela Otan), o risco da soberania do país. Tudo isto não pode ser comemorado. Pelo contrário, deve servir de vergonha e condenação para Obama, Sarkozy, Cameron e Rasmussen, verdadeiros criminosos terroristas que massacraram a população de um país inteiro para favor o comércio e a indústria bélica, roubando gás e petróleo de um pequeno país.
O mundo está de luto diante da barbárie praticada na Líbia pelas maiores potências militares do planeta.
O mundo está de luto pela morte da credibilidade da imprensa ocidental, que se mostrou mercenária e corrupta, inocentando criminosos e condenando inocentes.
A resistência líbia comandada pelo líder Muamar Kadafie seus filhos é a única esperança para resgatar a liberdade e a soberania da Jamahiriya Árabe Popular Socialista da Líbia.
- Viva Muamar Kadafi! - Viva a Líbia soberanae independente! - Viva a Era das Massas!